Marketplace repassa o líquido, mas o imposto incide sobre qual valor?
O valor depositado já chega descontado de comissão, frete, publicidade e outras tarifas. Entenda como conferir o valor bruto, cancelamentos e notas antes de apurar o DAS.
O depósito não é a sua receita
O valor que a plataforma deposita já vem descontado. Saíram dali a comissão do marketplace, a tarifa fixa por unidade, a participação no frete, a verba de publicidade, eventuais antecipações e o que ficou retido em reserva. O que sobra é caixa — não é faturamento.
A confusão entre os dois é a origem de boa parte dos erros de apuração em operação digital. Quem apura sobre o depósito recolhe a menos e fica exposto; quem apura sobre um bruto que nunca conferiu pode estar recolhendo a mais, sem saber.
Onde encontrar o valor que interessa
O número que sustenta a apuração é o valor bruto das vendas do período, o mesmo que aparece nas notas fiscais emitidas. Ele precisa ser reconstruído a partir do relatório de pedidos da plataforma, e não do extrato da conta.
- Relatório de vendas ou pedidos: traz o valor cheio de cada pedido, antes de qualquer desconto da plataforma.
- Relatório de repasses ou liberações: mostra o caminho de cada valor até o depósito, com as deduções separadas.
- Notas fiscais emitidas: são a base formal do faturamento e precisam bater com o relatório de pedidos.
O que precisa sair da conta antes de apurar
Nem tudo que foi vendido continua sendo receita no fim do mês. Antes de fechar a apuração é preciso identificar:
- pedidos cancelados antes do faturamento;
- devoluções com nota fiscal de entrada correspondente;
- reembolsos parciais e ajustes lançados pela plataforma;
- vendas de um mês cujo repasse só ocorreu no mês seguinte.
Esses eventos costumam aparecer em relatórios diferentes e em datas diferentes. Sem amarrar cada um ao pedido que o originou, o resultado do mês fica montado sobre números que não se sustentam.
Por que a ordem importa
Conciliar não é conferir depois. É o passo que vem antes de apurar. Uma apuração feita sobre valor não conferido pode ser tecnicamente bem executada e ainda assim partir de uma base errada — e é sobre a base que o imposto incide.
Qual valor entra na base de cálculo do imposto
A confusão nasce de um detalhe simples: o dinheiro que entra na conta já vem descontado, e é natural achar que o imposto acompanha o que sobrou. Não acompanha. No Simples Nacional a base é a receita bruta — o preço de venda cheio, antes de qualquer desconto da plataforma.
| Valor | Entra na base? |
|---|---|
| Preço de venda ao cliente | Sim |
| Frete cobrado do cliente | Sim, quando compõe o preço |
| Comissão da plataforma | Não deduz |
| Tarifa fixa por item | Não deduz |
| Frete subsidiado pelo vendedor | Não deduz |
| Venda cancelada | Sai da base |
| Devolução | Deduz no período em que ocorre |
EXEMPLO
R$ 1,32 por venda que viram R$ 660 no mês
Venda de R$ 100 com repasse de R$ 78. Apurando 6% sobre R$ 78 recolhe-se R$ 4,68; sobre R$ 100, R$ 6,00. A diferença é R$ 1,32 em uma venda — e R$ 660 em quinhentas. Como o valor recolhido a menos não gera aviso nenhum, o erro só aparece quando alguém confere, já corrigido por multa e juros.
Perguntas frequentes
O imposto é sobre o que vendi ou sobre o que recebi?
Sobre o que vendeu. O valor repassado já é líquido de taxas e não serve de base no Simples Nacional.
Posso deduzir a comissão da plataforma da receita?
No Simples, não. A comissão é despesa da operação, não redutor da receita bruta.
E se a venda for cancelada depois?
Cancelamento sai da base. Devolução deduz no período em que acontece, não no mês da venda original.
Conteúdo informativo sobre a mecânica de operações em marketplace. Não substitui a análise do caso concreto: regras fiscais variam conforme regime tributário, produto, estado e plataforma.
