Faturamento alto e lucro baixo: o custo da mercadoria pode explicar
Sem estoque contábil confiável, o resultado fica distorcido. Notas de entrada, devoluções, kits, perdas e custo médio interferem diretamente no CMV e na margem.
Quando o problema não está na venda
Operação que fatura bem e sobra pouco costuma ter o problema fora da linha de receita. Um dos lugares mais frequentes é o custo da mercadoria vendida — justamente a conta que depende de um estoque contábil confiável.
O que distorce o CMV
- Compra sem nota de entrada: a mercadoria vende, mas nunca entrou no estoque contábil. O custo fica subestimado, o lucro inflado.
- Kits e combos: vendidos como um item, compostos por vários. Sem composição cadastrada, a baixa de estoque sai errada.
- Devolução não reintegrada: o produto voltou fisicamente, mas continua baixado no controle.
- Perdas e avarias sem registro: somem do físico e permanecem no contábil.
- Custo médio desatualizado: compras a preços diferentes sem recalcular a média distorcem cada baixa seguinte.
O efeito acumula
Cada uma dessas falhas isoladamente parece pequena. Somadas ao longo de doze meses, produzem um resultado que não corresponde à realidade — e decisões de preço tomadas sobre ele levam a operação na direção errada.
Por onde começar a corrigir
Inventário físico confrontado com o contábil, na mesma data. A diferença encontrada é o ponto de partida: cada item precisa ser explicado por venda, devolução, perda ou erro de cadastro. É trabalhoso uma vez; depois vira rotina de fechamento.
Por que a margem cai quando as vendas sobem
O custo da mercadoria raramente é o da nota de compra. Quando a operação cresce, os custos que estavam escondidos crescem junto — e como eles não aparecem no painel de vendas, a sensação é de que o dinheiro sumiu.
| Componente | Costuma entrar na planilha? |
|---|---|
| Nota de compra | Sim |
| Frete de entrada rateado | Raramente |
| Embalagem | Raramente |
| Perda e avaria | Quase nunca |
| Armazenagem de item parado | Quase nunca |
| Produto devolvido sem revenda | Quase nunca |
EXEMPLO
A margem de 30% que era 22%
Nota de R$ 40 por unidade. Somando R$ 3 de frete de entrada rateado, R$ 2 de embalagem e R$ 1,50 de perda média, o custo real vai a R$ 46,50. Num preço de R$ 100, a margem que parecia 30% é 22% — e nenhuma venda precisou dar errado.
Perguntas frequentes
Preciso ratear o frete de compra por produto?
Precisa. Deixar de fora subestima o custo de todos os itens da carga.
Como trato produto devolvido que não dá para revender?
Como perda, no custo do período. Ele já consumiu mercadoria, frete de ida e frete de volta.
Faturar mais sempre melhora o resultado?
Só quando a margem por unidade é positiva. Se for negativa, volume acelera a perda.
Conteúdo informativo sobre a mecânica de operações em marketplace. Não substitui a análise do caso concreto: regras fiscais variam conforme regime tributário, produto, estado e plataforma.
